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Abandonados – Artigo de Tiago Gonçalves

 ” Uma televisão nacional tem dedicado os seus serões de Domingo à temática de edifícios ou espaços públicos abandonados chamando a atenção para o flagelo de zonas públicas perfeitamente esquecidas que criam verdadeiras chagas na malha urbana de grandes cidades.

                A Guarda podia, perfeitamente, ser um dos locais onde um programa desta natureza teria perfeito cabimento chamando a atenção para a degradação de diversos espaços de eleição que ensombram a nossa cidade.

                Este programa presta um enorme serviço público por colocar na ordem do dia uma certa forma de ver a cidade e os seus espaços degradados e porque representa aquela que devia ser uma das principais prioridades das autarquias e da administração central que é a da recuperação do património público e a necessidade de o rentabilizar e de lhe dar utilidade.

                O Interior é hoje em dia um verdadeiro viveiro de espaços públicos sem utilidade e de espaços privados sem vida. Nuns casos porque os serviços públicos foram, pouco a pouco, desaparecendo. Noutro porque os agentes privados se desinteressaram e esqueceram a história construída através de gerações.

                A Guarda e o seu centro urbano não constituem exceção à regra. A Praça Velha e toda a zona contígua é um verdadeiro assombro nessa matéria com inúmeros prédios degradados e ao abandono sem qualquer perspetiva de recuperação. Mas imóveis públicos como o “Hotel Turismo” ou a antiga sede das “Estradas de Portugal”, e particulares como o “Cine Teatro” ou o edifício “do ex-Montepio” representam chagas na cidade que, além de nos envergonharem, constituem em alguns casos verdadeiras ameaças à saúde pública.

                Recuperar esses locais e devolvê-los às cidades deve ser uma prioridade. Se no caso dos edifícios que ainda se encontram na esfera pública tal situação devia ter uma resolução rápida e orientada em função do interesse público da população e da própria dinâmica das cidades não podemos deixar de olhar com enorme preocupação a degradação de património na esfera dos agentes privados.

                A verdade é que os privados têm sido os principais responsáveis pela degradação da malha urbana das cidades deixando de investir e desinteressando-se pelo património familiar ao ponto de deixarem casas e fachadas ruírem e tornarem-se espaços privilegiados para atividades ilícitas e, bem assim, tornarem imóveis em locais insalubres dos quais os cidadãos necessariamente se afastam.

                Olhar os espaços abandonados é uma necessidade de todo o país e carece de intervenção legislativa à altura que penalize verdadeiramente os proprietários desinteressados e que, ostensivamente, deixam degradar o seu património que, em última instância e quando em locais centrais e privilegiados da malha urbana das cidades, penaliza toda uma comunidade.

                Acabar com estas chagas urbanas deve estar na ordem do dia. Passado o tempo da construção a hora, é agora, a da regeneração urbana. A capacidade de reinventar edifícios e outros espaços é fundamental na construção de novos modelos de cidades.

A Guarda e a sua autarquia devem por isso olhar de forma clara a malha urbana usando os instrumentos legislativos e capacidade de influência ao seu dispor para obrigar a intervenções urbanas que libertem a cidade destes símbolos de decadência que a tornam mais feia e desagradável tanto aos olhos de quem nos visita como aos daqueles que passam e se foram habituando a olhar aqueles edifícios com um misto de saudade e tristeza.

”    

Texto da Autoria de Tiago Gonçalves , Formador e colaborador  da Comunilog Consulting .            

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